WALNER BARROS SPENCER

 

 

A Trajetória Acadêmica e Profissional de Walner Barros Spencer

O professor universitário Walner Barros Spencer consolidou sua carreira acadêmica e profissional com uma sólida formação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ele concluiu seu bacharelado em História em 1985, seguido por um mestrado em Ciências Sociais, com foco em Antropologia Cultural, obtido em 2000. Sua jornada acadêmica culminou com o doutorado em Ciências Sociais, na área de Arqueologia, defendido em 2004, com a tese "Lajedo de Soledade: os guardiões do Cosmo (Arqueologia)", que contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Sua expertise reside na Arqueologia Pré-Histórica, com ênfase em temas como migrações, dunas e pinturas rupestres. Ao longo de sua carreira, coordenou e dirigiu inúmeros diagnósticos arqueológicos em estudos de impacto ambiental (EIAs/RIMAs), demonstrando sua capacidade de aplicar o conhecimento científico à prática. Sua produção acadêmica é vasta, com publicações que exploram desde a pré-história do Rio Grande do Norte até as discussões sobre patrimônio cultural e identidade.

A atuação de Walner Spencer se estendeu ao ensino superior, onde lecionou Arqueologia, Pré-História e Formação Histórica do Rio Grande do Norte na UFRN e na Universidade Potiguar (UnP). Nessa última, também coordenou o Núcleo de História e Arqueologia. Sua dedicação ao ensino incluiu a orientação de alunos em práticas arqueológicas de campo e laboratório.

Ao longo de sua vida, participou ativamente de congressos, seminários e eventos, onde apresentou pesquisas sobre a ocupação pré-histórica do litoral potiguar, a colonização da Capitania do Rio Grande e a importância da memória indígena. Sua tese de doutorado sobre o Lajedo de Soledade, por exemplo, recebeu reconhecimento de mérito científico, refletindo a relevância de suas contribuições para a arqueologia brasileira.

Além de sua carreira docente e de pesquisa, Spencer também se destacou por sua participação em comissões acadêmicas e por suas contribuições técnicas, como a criação e o gerenciamento de bancos de dados para projetos arqueológicos. Seus trabalhos incluem a coordenação de diagnósticos arqueológicos para grandes empreendimentos, como parques eólicos e gasodutos, reforçando seu papel na interface entre a pesquisa e a conservação do patrimônio histórico-cultural.

Reconhecido por sua excelência, Walner Barros Spencer recebeu diversos prêmios e menções honrosas, incluindo o Prêmio von Martus de Meio Ambiente e o Mérito Estudantil da UFRN, consolidando-se como uma figura de proa na Arqueologia e na História do Rio Grande do Norte. 

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Trajetória Arqueológica e Cultural Potiguar

1. Visão Geral

Walner Barros Spencer é uma figura proeminente no campo da Arqueologia e Ciências Sociais no Rio Grande do Norte, Brasil. Sua trajetória acadêmica e profissional, centrada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e na Sociedade de Arqueologia e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte, demonstra um profundo compromisso com a pesquisa, o ensino e a defesa do patrimônio cultural e ambiental da região. Sua expertise abrange a arqueologia pré-histórica e histórica, com ênfase em migrações, dunas e pinturas rupestres, além de um forte engajamento com questões de memória, identidade e a representação indígena.

2. Formação Acadêmica e Especialização

Spencer possui uma sólida formação multidisciplinar, com foco em Ciências Humanas:

·         Graduação: História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) (1981-1985).

·         Mestrado: Ciências Sociais, na área de Antropologia Cultural, pela UFRN (1998-2001). Sua dissertação, orientada pela Profa. Dra. Maria Lina Leão Teixeira, abordou "Patrimônio histórico; Pinturas rupestres; Arqueologia; Representações coletivas; Indígenas do Nordeste brasileiro; História indígena".

·         Doutorado: Ciências Sociais, na área de Arqueologia, pela UFRN (2001-2004). Sua tese, "Lajedo de Soledade: os guardiões do Cosmo (Arqueologia)", foi orientada pela Profa. Dra. Maria da Conceição Almeida e destacou "Arqueologia; Memória e identidade; Nordeste brasileiro; Pinturas rupestres; Pré-história; Representações coletivas."

·         Especializações complementares:Gestão e Perícia Ambiental (2009-2010), indicando uma preocupação com a interface entre arqueologia e meio ambiente.

·         Estágio no Laboratório de Arqueologia (LARQ) da UFRN (1982-1985), fundamental para sua formação prática em campo.

3. Áreas de Atuação e Interesses de Pesquisa

As áreas de atuação de Spencer são amplas, refletindo sua formação e pesquisas:

·         Arqueologia Pré-Histórica: Campo central de sua atuação, evidenciado por seus estudos em pinturas rupestres, migrações e a ocupação humana antiga no Nordeste brasileiro.

·         Arqueologia Histórica: Engajamento com sítios históricos, como a Fortaleza dos Reis Magos.

·         Antropologia e Etnologia Indígena: Forte interesse na memória e identidade dos povos indígenas, e sua representação no patrimônio cultural.

·         História e Sociologia: Base de sua formação e análise de fenômenos sociais e históricos.

·         Patrimônio Histórico e Cultural: Um tema recorrente em sua obra, com uma perspectiva crítica sobre a des-socialização do patrimônio e a ausência da memória indígena.

4. Principais Temas e Ideias

As publicações e participações em eventos de Spencer revelam temas e ideias centrais:

·         Pinturas Rupestres e Lajedo de Soledade: O Lajedo de Soledade é um foco central de sua pesquisa de doutorado e outras publicações, sendo descrito como um "complexo de pintura rupestre" e um "espaço cerimonial pré-histórico". Sua tese o aborda como "Lajedo de Soledade: os guardiões do Cosmo".

·         Ocupação Pré-Histórica do Litoral Potiguar (Dunas): Pesquisas significativas foram realizadas sobre "O Homem das Dunas", investigando a presença pré-histórica e os complexos arqueológicos litorâneos no Rio Grande do Norte. Destaca-se o artigo "PROJETO ARQUEOLÓGICO - O HOMEM DAS DUNAS" (1994) e sua participação no "PROJETO DUNAS" (1993-1997).

·         Patrimônio Cultural, Memória e Identidade Indígena: Spencer é um crítico veemente da exclusão ou sub-representação da memória indígena no patrimônio cultural brasileiro. Ele questiona: "Afinal, que cultura preservamos?" (Mestrado) e aborda a "ausência patrimonial da memória indígena em Natal - RN" em diversos trabalhos, como "Alguém não foi convidado para o Jantar!" (1999). Ele defende que "O patrimônio somos nós!" (2008), enfatizando a importância da inclusão de diversas narrativas.

·         A "Des-socialização" do Patrimônio: Spencer argumenta sobre o "patrimônio cultural desconsiderado" e "o patrimônio des-socializado", sugerindo uma desconexão entre o patrimônio e a sociedade que deveria representá-lo.

·         Interdisciplinaridade: Sua formação e trabalhos refletem uma abordagem interdisciplinar, integrando Arqueologia, História, Antropologia e Sociologia para uma compreensão mais completa dos fenômenos culturais e históricos.

·         Arqueologia e Desenvolvimento: Sua atuação em diagnósticos e pareceres arqueológicos para grandes projetos de infraestrutura (parques eólicos, gasodutos, minas) demonstra a aplicação prática da arqueologia na gestão ambiental e no licenciamento, buscando conciliar desenvolvimento com a preservação do patrimônio.

5. Contribuições e Reconhecimentos

·         Produção Bibliográfica: Autor de livros como "PRÉ-HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE - EM BUSCA DOS 'GRANDES CAÇADORES'" (1996) e diversos artigos em periódicos e anais de congressos, além de artigos de opinião em jornais online.

·         Coordenação de Projetos: Coordenou e dirigiu diversos diagnósticos arqueológicos em EIAs/RIMAs, e esteve envolvido em projetos de pesquisa como o "PROJETO DUNAS" e o "PROJETO FORTALEZA DOS REIS MAGOS".

·         Docência: Atuou como professor de Arqueologia, Pré-História e Formação Histórica do Rio Grande do Norte na UFRN e na Universidade Potiguar.

·         Premiações: Reconhecido com diversos prêmios por sua pesquisa, incluindo o Prêmio de pesquisa pelo trabalho "Dunas: ocupação pré-histórica do Rio Grande do Norte" (1995) e o Reconhecimento de Mérito Científico pelo Projeto Soledade (1998) pelo IPHAN.

6. Citações Relevantes

·         Sobre o Lajedo de Soledade: "Lajedo de Soledade: os guardiões do Cosmo (Arqueologia)" (Título de sua tese de doutorado).

·         Sobre o patrimônio e a memória indígena: "Alguém não foi convidado para o Jantar! A ausência patrimonial da memória indígena em Natal - RN." (Título de artigo/apresentação).

·         Sobre a relevância do patrimônio para a sociedade: "O patrimônio somos nós!" (2008).

·         Sobre a "des-socialização" do patrimônio: "O patrimônio cultural des-socializado" (2001) e "O patrimônio cultural desconsiderad - o lajedo de soledade" (2005).

7. Conclusão

Walner Barros Spencer é um arqueólogo e pesquisador influente, cuja obra destaca a riqueza do patrimônio pré-histórico e histórico do Rio Grande do Norte, com um olhar crítico sobre sua preservação e a representação de memórias, especialmente as indígenas. Sua atuação abrange a pesquisa acadêmica rigorosa, a docência e a aplicação prática da arqueologia em contextos de desenvolvimento, consolidando-o como uma voz importante na defesa do patrimônio cultural e na construção de uma identidade potiguar mais inclusiva e consciente de seu passado.

O documento "Ecos do Silêncio" é uma tese de doutorado de Walner Barros Spencer em Ciências Sociais, publicada em 2010. A obra investiga a formação do patrimônio cultural brasileiro, focando na região do Rio Grande do Norte. Spencer critica a perspectiva eurocêntrica na historiografia oficial, que frequentemente ignora ou distorce a contribuição indígena na construção social do Brasil. Ele usa estudos de caso, como a capela do Engenho Cunhaú e a aldeia de Igapó, para ilustrar como a memória indígena foi silenciada e como a colonização portuguesa impactou profundamente as culturas nativas da região. O autor propõe uma revisão da narrativa histórica para reconhecer a miscigenação e o papel fundamental das etnias indígenas.

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Ecos do Silêncio – Patrimônio Cultural e a Narrativa Indígena no Rio Grande do Norte

Título do Livro: Ecos do Silêncio Autor: Walner Barros Spencer Prefácio por: Luiz Eduardo Brandão Suassuna Publicação: Novembro de 2010

Visão Geral e Propósito do Livro

"Ecos do Silêncio" é uma obra crítica e investigativa que aborda a questão do patrimônio cultural no Rio Grande do Norte, com foco particular na narrativa histórica silenciada ou distorcida sobre as populações indígenas e sua contribuição para a formação da sociedade brasileira. O autor, Walner Barros Spencer, um "pesquisador, professor e historiador, além de industrial", busca reescrever passagens da história de forma "séria e acadêmica, mas com escrita elegante e agradável."

O prefácio de Luiz Eduardo Brandão Suassuna destaca que a "memória indígena recusada" é o ponto central do livro, que "amplia um horizonte que precisa urgentemente ser pesquisado, estudado e difundido." A obra questiona a "desconstrução violenta da cultura indígena e a edificação, mais violenta ainda, da civilização implantada pelos europeus, principalmente os lusitanos."

Temas Centrais e Ideias Mais Importantes

  1. A "Memória Recusada" e o Silenciamento Indígena:
  • O principal argumento do livro é que a história oficial brasileira e potiguar tem "recusado" ou ignorado a importância e a presença das etnias indígenas na formação da identidade nacional. Essa recusa é vista como uma perpetuação da violência histórica.
  • O livro desafia a visão eurocêntrica que caracteriza os povos nativos como "primitivos" ou "selvagens", desconsiderando suas contribuições culturais e sociais.
  • Citação: "Não é hora de perguntar quem massacrou quem. É hora de estudar os extermínios de grupos e culturas inteiras, mas que deixaram um patrimônio arqueológico e imaterial pouco valorizado. Silenciada, a cultura indígena urge por vozes que por ela batalhem." (Prefácio, p. 6)
  1. Patrimônio Cultural como Instrumento de Poder e Disputa Narrativa:
  • O autor analisa o patrimônio cultural não apenas sob a ótica da legislação, mas como um campo de batalha simbólico onde diferentes narrativas históricas competem.
  • A institucionalização do patrimônio, muitas vezes, reflete "valores contraditórios" e "julgamentos de valores ofensivos ou deletérios" em relação às etnias formadoras do povo brasileiro.
  • O livro critica a prática de "tombar" bens que glorificam a narrativa colonialista, enquanto a memória indígena é negligenciada ou estigmatizada.
  • Citação: "Os bens tutelados pelos poderes públicos, portanto, não devem exprimir julgamentos de valores ofensivos ou deletérios a qualquer uma das etnias formadoras do povo brasileiro." (p. 83)
  • Citação: "Mas a base que sustenta o discurso, que lhe dá força em detrimento das etnias ameríndias, está justamente no isolamento do fato, na ausência de associação com o quadro maior da guerra que se desenvolvia e com o esquecimento do progresso convívio de portugueses e índios no Rio Grande do Norte." (p. 112)
  1. A Miscegenação como Pilar da Identidade Brasileira (e suas Contradições):
  • A Constituição Brasileira de 1988 reconhece a "herança comum à sociedade brasileira" como resultado da miscigenação biológica e cultural. O livro explora como essa miscigenação, embora central para a identidade, muitas vezes obscurece a violência e as desigualdades que a acompanharam.
  • A obra argumenta que a "integração e a miscigenação das etnias não supõem o desaparecimento do valor cultural intrínseco a cada uma delas." (p. 16)
  • Citação: "Será o caso de se perguntar qual a razão, ainda mais se não considerarmos como demérito a aceitação do fato de que os integrantes da sociedade brasileira entendem como parte vital e positiva de sua identidade nacional, o ser produto de uma ampla miscigenação." (p. 17)
  1. Estudos de Caso: Engenho Cunhaú e Aldeia de Igapó:
  • Capela do Engenho Cunhaú (Capítulo III): Este local, tombado como patrimônio histórico nacional, é apresentado como um exemplo de "patrimônio de valores contraditórios." A narrativa oficial o glorifica como um "monumento cívico-religioso" em memória de um massacre contra "fiéis", mas o autor argumenta que essa interpretação "contamina" o patrimônio, transformando-o em um "símbolo da fúria animalesca dos índios sertanejos" e justificando o extermínio indígena. O massacre em Cunhaú é recontextualizado para mostrar a complexidade e a parcialidade das fontes históricas.
  • Citação sobre Cunhaú: "A capela do Cunhaú, como patrimônio histórico-cultural, está, portanto, contaminada por esse discurso, que a fez símbolo da fúria animalesca dos índios sertanejos. Jamais se cometera crime tão atroz; nem tão injustificado." (p. 112, citando Calmon)
  • Aldeia de Igapó (Capítulo IV): Representa o "Patrimônio de uma memória recusada". A fundação de Natal e a presença francesa na região são analisadas em contraste com o papel central das etnias indígenas, como os Potiguar, muitas vezes apagadas da memória oficial, apesar de sua importância estratégica e social. A ausência de um patrimônio monumentalizado para Igapó é um paradoxo em relação à Fortaleza dos Reis Magos, que é intensamente visitada e consolidada como símbolo da conquista europeia.
  • Citação sobre Igapó: "A ausência de um patrimônio monumentalizado que valorize essa memória, portanto, não pode ser debitada ao desconhecimento do local." (p. 161)
  • Citação: "Raros lugares em paisagens históricas prestar-se-iam tão bem para referenciar o contato cultural entre duas das etnias formadoras da nação como o Forte dos Reis Magos e a Aldeia Velha dos Potiguares, mediados pelo Potengi, mas impera solitária a fortaleza portuguesa, como a atestar que a história indígena, definitivamente, não é parte de nossa identidade-nós." (p. 162)
  1. Crítica à Historiografia Tradicional:
  • O livro questiona a imparcialidade de cronistas da época colonial, como Frei Manuel Calado, cujas obras são descritas como "tendenciosas" e "anti-semitas" por estigmatizar a dominação holandesa e as ações indígenas.
  • Citação: "[Calado] É evidente que não podia ser imparcial, pois se engajara na guerra, uma espécie de guerra santa, contra os hereges holandeses... Muitas vezes torce a verdade... outras vezes é anti-semita..." (p. 88)
  • A obra busca confrontar e desmascarar discursos que "máscaram e favorecem os interesses de classes dirigentes ou dominantes", defendendo uma análise diacrônica da formação do povo brasileiro e da cultura indígena.

Fatos e Ideias Importantes em Destaque

  • A Constituição de 1988 (Art. 216): Declara a proteção e preservação do Patrimônio Cultural, composto por elementos materiais e imateriais que referenciam a identidade e a memória de diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. (p. 15)
  • Contradição no Patrimônio: A valorização histórica de certos bens pode reforçar "memórias de um evento onde sejam imanentes representações que não condizem com o objetivo atualmente pressuposto ao patrimônio cultural." (p. 83-84)
  • Massacre de Cunhaú: O evento ocorreu em 23 de outubro de 1645. A narrativa sobre ele é controversa, com historiadores como José Honório Rodrigues apontando que a obra de Calado não é uma história, mas "um depoimento que procura influir também no moral dos combatentes... transcreve documentos, alguns autênticos, outros inventados..." (p. 89)
  • Indígenas na Guerra: Os índios Tapuias e Potiguares são descritos como guerreiros experientes, com táticas de combate eficazes, que se rebelaram contra o domínio português e holandês. (p. 25)
  • Fundação de Natal: Resultou da aliança entre portugueses e potiguares em 1599, liderada por Jerônimo de Albuquerque. A cidade foi fundada após as "pazes feitas", enfatizando o papel indígena na colonização. (p. 146-149)
  • Fortaleza dos Reis Magos: Tombada nacionalmente em 1949, é o patrimônio histórico de "extração européia" mais antigo do Rio Grande do Norte, coevo aos acontecimentos do século XVII. Sua proteção contrasta com a negligência do patrimônio indígena. (p. 152-153)
  • Aldeia Velha (Igapó): Frequente em documentos antigos, era um local de grande população indígena e ponto de contato com os franceses. Sua memória histórica está "esquecida e afastada da estima e da tutela social." (p. 154)

Conclusões e Implicações

"Ecos do Silêncio" propõe uma revisão crítica da história e da política patrimonial no Rio Grande do Norte e no Brasil, argumentando que a invisibilidade e a desvalorização do patrimônio indígena impedem a construção de uma identidade nacional mais justa e harmônica. O livro conclui que a sociedade brasileira ainda "expiando os erros dos seus pais", e que a valorização da diversidade genética e cultural do povo brasileiro, incluindo a herança ameríndia e africana, é essencial para uma sociedade mais equitativa.

O autor enfatiza que o patrimônio histórico não pode ser uma representação "unilateral" ou "esvanecida", mas deve servir à "libertação e não à servidão dos homens." A obra é um apelo para que a memória coletiva seja um instrumento de compreensão e avanço cultural, em vez de perpetuar preconceitos e silenciamentos.

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