JOSÉ OZILDO DOS SANTOS
José Ozildo dos Santos. Historiador e professor universitário
A Família Dantas da Serra do Teixeira
Este documento resume os principais temas e fatos importantes das fontes fornecidas sobre a família Dantas da Serra do Teixeira, focando em sua origem, expansão, personagens notáveis, legado e a importância do Casarão do Jabre e do Museu Arlindo Dantas Monteiro.
1. Origens e Primeiras Gerações dos Dantas na Serra do Teixeira
A presença da família Dantas na Serra do Teixeira é antiga e multifacetada. A tradição oral aponta para a chegada de quatro portugueses no século XVIII, com Antônio Dantas Correia permanecendo e estabelecendo raízes ao se casar com Josefa. No entanto, "dados comprovados mostram que o português José Dantas Correia (I) e sua esposa, a paraibana Isabel da Rocha Meireles, constituem as raízes dos Dantas da Serra do Teixeira." Eles eram "senhores do Engenho Fragoso, localizado nas proximidades do Recife".
- Expansão: A descendência de José Dantas Correia (I) e Isabel da Rocha Meireles foi crucial para "povoar os sertões da Paraíba e do Rio Grande do Norte, a partir de 1710."
- Caetano Dantas Correia (1710-1797): Filho de José Dantas Correia (I), ele é considerado a "origem da família Dantas na região do Seridó."
- José Dantas Correia (II): Outro filho de José Dantas Correia (I), ele "vai constituir o tronco da família Dantas, na Paraíba." Casou-se com Tereza de Góis e Vasconcelos, ligando a família aos Góis e Vasconcelos.
2. O Alferes Antônio Dantas Correia de Góis: O Tronco Principal na Paraíba
Filho único de José Dantas Correia (II) e Tereza de Góis e Vasconcelos, Antônio, conhecido como "Capitão Anta", é uma figura central na linhagem da Serra do Teixeira.
- Características Pessoais: Descrito como "homem alto e magro, de feição escultural," mas "perfeitamente desleixado abotoando o paletó sem simetria nem ordem, como se fosse o nosso Diógenes." Ele era "major da Guarda Nacional e gostava muito de andar de espada." Destacava-se por sua "grande força moral e profundo espírito de justiça, ele às vezes castigava um amigo turbulento em proveito do adversário colocando acima das conveniências do partido, a ordem e a lei."
- Casamento: Casou-se com Josefa Francisco de Araújo e Almeida, filha de João de Araújo e Almeida (Cavaleiro da Ordem de Cristo) e Mariana Francisca Benedita (da família Gomes Coutinho).
- Prosperidade e Escravidão: Tornou-se "próspero senhor de terras e escravos." É notável que uma de suas fazendas, no município de São José do Egito, era "povoada exclusivamente por escravos e tinha o paradoxal nome de 'Piedade'."
- Doação de Terras: Em 1795, ele e sua esposa doaram "24.000 braças quadradas de terras ao Patrimônio da Capela de Santa Maria Madalena, da freguesia do Teixeira." Essas terras seriam permutadas em 1881 por seu bisneto, Delmiro Dantas Correia de Góis.
- Descendência e Sobrenome "Góis": Seus quatro filhos – Antônio (Júnior), Lourenço, José e Inácio – adotaram o sobrenome "Góis" em homenagem à avó, Tereza de Góis e Vasconcelos.
3. As Quatro Linhagens do Alferes e Seus Descendentes
Os filhos do Alferes Antônio Dantas Correia de Góis expandiram a família e contribuíram significativamente para a região.
- Padre Antônio Dantas Correia de Góis (Júnior): Ordenou-se padre, foi vigário em Teixeira (e depois em Patos) de 1828 a 1852. Era "homem de idéias, um pouco caprichoso, mas pacífico," prestando "bons serviços à paz e ao progresso da Vila." Suas assinaturas são as primeiras no Livro número 1 de batizados da freguesia do Teixeira (1843). Foi sepultado na Capela de Teixeira.
- Inácio Dantas Correia de Góis: Não constituiu família, falecendo em 1860.
- Lourenço Dantas Correia de Góis: Casou-se com Senhorinha Francisca dos Passos, filha do Capitão Manoel Pereira Monteiro. Tiveram catorze filhos. Lourenço foi um proprietário de terras, residiu em Teixeira, na Capital Paraíba e em Patos, onde era advogado e suplente de juiz municipal. Em 1840, foi eleito deputado provincial pelo Partido Liberal. Era "inteligente e ilustrado; pacífico e ordeiro." Faleceu em 1868. É atribuída a ele a construção do "Açude do Amparo, do engenho e da casa residencial" (o futuro Casarão do Jabre), com "mão-de-obra escrava."
- José Dantas Correia de Góis: Casou-se com Maria Isabel dos Passos (Bilinha), também filha do Capitão Manoel Pereira Monteiro, e tiveram quatro filhos. José era "austero e religioso, vivia da agricultura e da pecuária," e "jamais aceitou cargo público, era alheio completamente ao movimento social."
- Filhos de José Dantas Correia de Góis:Coronel Dr. Manoel Dantas Correia de Góis (1827-1910): A personalidade "mais proeminente da linhagem dos Dantas do Teixeira" devido à sua popularidade e prestígio político. Casado com Jacinta Augusta Duarte Dantas, teve catorze filhos. Após enviuvar, dedicou-se à política, sendo eleito deputado várias vezes (provincial e geral), presidente da Assembleia e, interinamente, da Província da Paraíba. Participou da Constituinte estadual de 1892. Pertenceu ao Partido Liberal. Seu oitavo filho, Dr. Franklin Dantas Correia de Góis, também foi deputado geral e presenciou a queda do Império e a fundação da Primeira República.
- Capitão Antônio Dantas de Góis Monteiro: Adotou o sobrenome "Monteiro" em seu nome. Teve oito filhos de dois casamentos.
- Benigna Dantas da Silveira: Casou-se com seu primo Ilídio Dantas Correia de Góis, filho de Lourenço.
- Alferes José Dantas Correia de Góis Júnior (Casusa) (? – 1876): Casado com sua prima Maria Senhorinha dos Passos Dantas (Maroca), filha de Lourenço. Teve oito filhos. Sua morte trágica em 1876, enquanto delegado, ao tentar prender Liberato de Carvalho Nóbrega, é um evento marcante. Casusa foi "mortalmente atingido pela pontaria do bacamarte de Liberato." Seu pai, José Dantas Correia de Góis, faleceu meses depois, "acabrunhado e entristecido com o assassinato do filho."
4. O Casarão do Jabre e o Legado Histórico
O Casarão do Jabre é um elemento físico crucial do legado dos Dantas.
- Construção e Uso: Atribuída a Lourenço Dantas Correia de Góis, a casa foi construída com "mão-de-obra escrava," possivelmente entre 1820 e 1835. Sua imponência e qualidade de construção indicam a prosperidade de seu construtor.
- Localização e Ambiente: Situado "a pouco mais de 2 km a oeste de Maturéia e a 1,5 km do sopé do Pico do Jabre," desfrutava de um "clima ameno e das belezas do Amparo."
- Habitantes: Foi usufruído por filhos e sobrinhos de Lourenço, como Ilídio, Felinto, Alfredo Dantas Correia de Góis e sua família até a década de 1920. Mais tarde, foi habitado por José Dantas Correia de Góis (neto de Casusa) e sua esposa Severina Dantas de Araújo (Biliu). Eles mantiveram o casarão e seus jardins com esmero.
- Contraste com o Casarão do Deserto: A preservação do Casarão do Jabre contrasta com a demolição "iconoclasticamente no final do século XX" do "Casarão do Deserto," a "mais antiga moradia dos Dantas do Teixeira," construída por um ancestral, possivelmente José Dantas Correia (I).
- Perdas e Descaracterização: Após o falecimento de Alfredo Dantas Correia de Góis em 1922, o Amparo sofreu "o infortúnio do mal uso de seus recursos naturais, sendo até descaracterizado em suas dimensões originais, resultado da inoportuna venda de suas melhores terras." No entanto, a "feição original do Casarão, no entanto, manteve-se íntegra."
5. O Museu Arlindo Dantas Monteiro: Preservação da Memória
O Casarão do Jabre é hoje a sede do Museu Arlindo Dantas Monteiro.
- Fundação: Criado em 1998, a iniciativa e o nome foram inspirados pela esposa e filho de Arlindo Dantas Monteiro (Josefa Rodrigues Monteiro, Zelice e Heráclio Dantas Rodrigues).
- Arlindo Dantas Monteiro (1918-1980): Empresário e filho de Lourenço Dantas de Góis Monteiro (que por sua vez era o sétimo filho de Casusa).
- Missão do Museu: Sua missão é "resgatar a história dessa pequena parte do Brasil."
- Futuro da Pesquisa: O documento enfatiza que "muito há para revelar sobre a presença dos Dantas na Serra do Teixeira." Contudo, ressalta a necessidade de "muito mais, entretanto, resta estudar sobre os indígenas, seus primeiros habitantes e sobre os afro-descendentes que ajudaram a construir o passado e o presente de Teixeira, Maturéia, Imaculada, Mãe D’água e adjacências."
- Visão: O museu "revela o passado, com vistas ao futuro!"
Este resumo destaca a trajetória de uma família que, desde suas origens portuguesas e a colonização do sertão, se estabeleceu, prosperou e desempenhou papéis significativos na política, religião e na formação socioeconômica da região da Serra do Teixeira, deixando um legado material e imaterial que o Museu Arlindo Dantas Monteiro busca preservar e divulgar.
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