LUIZ G. M. BEZERRA (1923/)
Sua trajetória profissional foi marcada pela versatilidade e ascensão. Durante a Segunda Guerra Mundial, integrou a empresa Armando Campello & Gentil Ltda., responsável por edificações nas bases aéreas de Parnamirim e hidroaviões. Atuou ainda como gerente da Serraria Arcantil Ltda. e, posteriormente, estabeleceu-se como comerciante autônomo no ramo de materiais de construção. No setor empresarial, destacou-se como vice-presidente da Associação Comercial do Rio Grande do Norte e presidente da Comissão de Importação e Exportação, cargos que exerceu por mais de três décadas. Entre 1970 e 1985, desempenhou importantes funções na TELERN - Telecomunicações do Rio Grande do Norte, onde chegou à presidência e à superintendência. Além disso, teve relevante atuação nos setores previdenciário e sindical, como sócio da Previdente Natalense e do SINTEL/RN.
No âmbito cultural, Luiz G. M. Bezerra figurou como protagonista em várias iniciativas. Fundou, ao lado de ilustres intelectuais como Câmara Cascudo e Rômulo Wanderley, o Clube de Trovadores do Rio Grande do Norte, atual Academia Potiguar de Trovas. Participou da criação da Sociedade Filatélica Potiguar, do Centro Acariense em Natal, da Associação Cultural Maestro Felinto Lúcio Dantas e da Associação de Pesquisadores do Nordeste. Instituiu ainda a Fundação Cultural Padre João Maria, responsável pelo jornal "A Verdade", no qual publicou mais de seiscentos perfis de desportistas do século XX, além de artigos diversos em outras publicações.
Foi, sobretudo, um memorialista notável, detentor de um vasto acervo documental sobre pessoas e acontecimentos potiguares, o qual colocava generosamente à disposição de pesquisadores e estudiosos. Como gesto de desprendimento e compromisso cívico, doou mais de quatro mil livros a bibliotecas públicas de Acari e Macaíba, bem como ao Museu do Médico do Rio Grande do Norte. Sua influência também se estendeu às ruas de Natal, tendo sugerido os nomes de mais de duzentas personalidades como patronos da toponímia urbana.
No campo esportivo, sua contribuição foi ainda mais destacada. Fundou o Pâmpano Esporte Clube (1954), a primeira entidade de pesca amadora do Nordeste, e a Federação Norte-rio-grandense de Pesca Amadora (1961), segunda do Brasil. Participou das comissões de construção dos estádios Santos Reis e Humberto de Alencar Castelo Branco (Machadão), ocupou a vice-presidência do América Futebol Clube e a presidência do Conselho Regional de Desportos. Entre 1984 e 1990, tornou-se sócio contribuinte, benemérito, remido e patrimonial de quase todos os clubes da capital potiguar.
Em reconhecimento aos inúmeros serviços prestados ao Rio Grande do Norte, recebeu os títulos de Cidadão Natalense e de Carnaúba dos Dantas, além de mais de uma centena de comendas, diplomas e honrarias concedidas por instituições diversas. Era casado com a senhora Zilda Alves Meira Bezerra, com quem teve cinco filhos. Luiz G. M. Bezerra permanece como uma das figuras mais emblemáticas na preservação da história, da cultura e da identidade potiguar.

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