GERALDO BATISTA DE ARAÚJO
GERALDO BATISTA DE ARAÚJO nasceu em Acari/RN no ano de 1936. Filho de Manoel Batista de Araújo e de Amélia Batista de Araújo. Irmão de Josefa de Araújo Bezerra (Fefa), Severina de Araújo Medeiros (Rosa), Aguida Araújo e outros. Neto de João José de Araújo e de Idalina Maria da Conceição. Pela veia materna é neto de José Alves da Silva (Zé Pequeno) e Mariana Militana de Jesus.
Em 1946 foi para o Seminário de Caicó e em 1954 se transferiu para Natal. Escritor, cronista, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Em que pese ser colaborador do 'Jornal de Hoje' foi fundador e diretor da Editora Universitária, dirigindo a COMPERVE por muitos anos.
Escreveu dentre outras obras MOLEQUE DO ACARI I e II. O livro traz historias da vida do autor, nestas páginas não é apenas o menino do Acari que revive na vida de cada lembrança e cada personagem, é também o homem, na solidão da sua memória mais afetiva.
Geraldo Batista de Araújo
Data de nascimento: 19 de novembro de 1936
Local: Acari, Rio Grande do Norte Tribuna do Norte+8navegos.com.br+8Tribuna do Norte+8
🌱 Trajetória pessoal e acadêmica
Pertencente a uma família humilde de Acari, filho de Manoel Batista de Araújo e Amélia Batista de Araújo, sua infância envolveu trabalho desde cedo — vendia cocada, buscava água nas casas vizinhas, aprendia os preceitos do trabalho e da dignidade familiar. Mesmo com poucas posses materiais, seus pais lhe legaram valores como educação, perseverança e generosidade navegos.com.br.
Em 1946, ingressou no seminário de Caicó; em 1954, mudou-se para Natal, onde prosseguiu seus estudos e iniciou a carreira como docente universitário na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) navegos.com.br+1Tribuna do Norte+1.
✍️ Carreira literária e intelectual
Geraldo é cronista potiguar, colaborador regular de jornais como Tribuna do Norte e O Jornal de Hoje, onde criou personagens como o alter ego Zé das Cuias, através dos quais dialoga com o leitor em um estilo leve e genuinamente brasileiro navegos.com.br+1Tribuna do Norte+1.
Ao longo de sua trajetória, publicou diversos livros — entre eles:
Moleque do Acari (primeiro volume de memórias sobre infância no sertão)
Lembranças
Romance no Gueto de Varsóvia (ficção ambientada na Segunda Guerra Mundial) Tribuna do Norte+3Tribuna do Norte+3Tribuna do Norte+3Estante Virtual+3Tribuna do Norte+3Tribuna do Norte+3.
Suas crônicas conquistam o leitor pela autenticidade sertaneja, narrando histórias pessoais, culturais e sociais do Rio Grande do Norte com humor e sensibilidade Tribuna do NorteTribuna do Norte.
🏛️ Atuação institucional e editorial
Foi fundador e primeiro diretor da Editora da UFRN (inicialmente chamada Imprensa ou Tipografia Universitária), cargo que ocupou entre os 26 e os 40 anos de idade. Durante sua gestão, promoveu a publicação de títulos relevantes do cancioneiro acadêmico e cultural potiguar, como obras de Câmara Cascudo e outros intelectuais locais Tribuna do Norte.
Também atuou como chefe e diretor da Comperve (Comissão Permanente do Vestibular da UFRN) e liderou políticas acadêmicas e editoriais nas décadas de maior expansão da instituição Tribuna do Norte+1Estante Virtual+1.
Moleque do Acari II
Autor: | Geraldo Batista de Araújo | ||||||||||||
Sobre: | Este livro traz historias da vida do autor, nestas páginas não é apenas o menino do Acari que revive na vida de cada lembrança e cada personagem. É também o homem, na solidão da sua memória mais afetiva. | ||||||||||||
Infinita Imagem: | Projeto Gráfico e Diagramação. | ||||||||||||
Ano: | 2014 Linha de Tempo Biográfica
💬 Legado literário
🧭 Considerações de um protagonistaGeraldo mantém-se ativo na escrita e na cultura regional, enquanto escreve crônicas semanais e participa da vida intelectual potiguar. Ele se considera “cronista do Seridó”, com orgulho de suas raízes e uma visão crítica e afetiva da memória sertaneja navegos.com.brTribuna do Norte. Retrato Falado de Geraldo Batista de AraújoProfessor universitário aposentado. Empresário.72 anos. Cronista, criador de Zé das Cuias, seu alter ego, através do qual dialoga com os leitores e marca a sua presença nesse gênero leve e despretensioso, tipicamente brasileiro. Colabora há muitos anos em O Jornal de Hoje. |
Quem conta esta história, que vai publicada logo em seguida, é Gerado Batista de Araújo, escritor, professor aposentado da UFRN, editor da Edfurn (foi um de seus fundadores, tempos do reitor Onofre Lopes) por 14 anos, autor de 5 livros e escreveu em vários jornais desta província de Poti mais lida, sabendo usar a dose certa de sal no seu tempero crítico. Seridoense nascido no Acari sabe, como poucos, contar histórias do seu chão e de sua gente (“Moleque do Acari”, “Memórias de um velho pároco” e “Lembranças”, livros). Recentemente publicou “Romance no gueto de Varsóvia”. Também é mestre em gastronomia, e por isso o “chef” preferido do poeta Nei Leandro de Castro que, por sinal, escreveu orelhas e prefácio de dois de seus livros.
Faz tempo que Geraldo não comparece aos papos da calçada do Cova da Onça, levando faltas do mestre Gaspar e do poeta Carlos Castilho que continuam cobrando por suas histórias. Foi aí que, na boca da noite de segunda-feira, 11, aconteceu agradável surpresa: caiu na minha bacia das almas um imeio de Geraldo, dizendo assim: “Prezado Woden: Cascaviando as gavetas encontrei este texto que escrevi há muitos anos sobre uma freira alemã. Gostaria que você publicasse em homenagem a esta figura admirável”.
É o que farei agora, transcrevendo a crônica por inteiro, começando pelo título:
Madre Fortedemais…
Geraldo Batista
Quando eu era garoto, interno no Seminário Cura d’Ars, em Caicó, a madre superiora das freiras que cuidavam da administração do espaço físico do Seminário e preparavam as refeições, era uma freira alemã “torrada no grosso”, como se diz no Seridó, quando uma pessoa é atarracada. A madre era uma figura extraordinária, tinha uma cara um pouco fechada como convém a uma freira alemã, m as ao falara se revelava simpática e de um papo admirável.
Estávamos no pós-guerra do segundo conflito mundial. Ela só não gostava de falar sobre a derrota da Alemanha, vítima das loucuras de Hitler. Nos dias festivos, páscoa, pentecostes, aniversário de algum padre, ou no onomástico do padre reitor (dia do santo cujo nome era o do homenageado), preparava um pão alemão recheado de passas que era uma delícia. Durante a missa, antes do café, a gente só pensava no pão que viria em seguida. Quando ela resolveu ir para a cozinha, a comida tinha um sabor especial.
Nos fundos do prédio onde se localizava o Seminário, havia uma fazenda dividida pelo rio Barra Nova, onde mais em cima se localizava o famoso açude Itans. A vacaria ficava do outro lado do rio. Quando o açude sangrava, o rio enchia. A freira, todos os dias, ia muito cedo tirar leite das vacas. Se o rio estivesse cheio, ela atravessava o rio a nado vestida com seu hábito. Nada impedia de fazer a sua obrigação. Uma vez, terminada a ordena das vacas, um morador da fazenda levava o leite no lombo de um jumento, passando pela ponte que ficava distante cerca de um quilômetro. Ela voltava para o Seminário a nado novamente.
Havia também uma pocilga na fazenda, ela cuidava também dos porcos, alimentados com restos de comida, cascas de frutas, etc. Nunca me esqueci de um dia de feriado, quando resolvi fazer uma caminhada pela fazenda e ela estava tentando cruzar uma porca em cio com um porco muito jovem. Quando me aproximei ela me explicou: “Esse porquinho ainda não tem nenhuma experiência e eu tenho de ensinar a ele para fazer o que deve ser feito”. Não demorou muito o porco encontrou o caminho certo para emprenhar a porca. Para uma freira brasileira, aquela cena era inimaginável, mas para uma legítima germânica, tudo não passava de uma coisa natural como Deus determinou: “Crescei e multiplicai-vos”.
Devido a sua inusitada disposição para todo tipo de trabalho, o povo a chamava de Irmã Fortedemais, onomatopeia do seu verdadeiro nome Madre Folkmare, uma heroína, pelo menos aos olhos daquele garoto que gostava de vê-la trabalhando, principalmente quando ela ia tirar o mel das colmeias do cortiço por ela cultivado. Sempre sobrava um pouco de mel para o moleque curioso. ”
Política
Li na coluna BR-18 do Estadão, com o título “Eliminações antes da Copa? ”:
– O fôlego de algumas candidaturas de si mesmas para estar se esvaindo. Guilherme Afif, que insiste em dizer que é pré-candidato embora seu partido, o PSD, não o reconheça como tal, deve ser chamado à realidade. O PRB de Flávio Rocha faz conversas abertas com o PSDB e o Podemos.
– Rodrigo Maia já cansou de interpretar o pré-candidato e quer ir cuidar de sua reeleição ao mandato e à presidência da Câmara. O MDB já não esconde o desejo de desistir de Henrique Meirelles. E o PCdoB só espera o nome do PT para decidir se vai com ele ou com Ciro Gomes. Os desfechos podem vir antes mesmo da Copa.Geraldo Batista está de livro novo na praça. Recebeu o titulo de “Lembranças”. Disse que não teve a pretensão de escrever um livro de memórias, que isso é coisa de gente importante, de escritor famoso. Acha, escorado na velha modéstia sertaneja, que o seu bodoque não chegaria a tanto. Mas, o menino buchudo do Acari, naquele jeito que têm os bons prosadores, nos oferece, sim, um bonito livro de memórias, dos que agarram o leitor logo na primeira linha e o conduzem até a última estação. Basta conferir nos seus livros anteriores e o que vem publicando, há anos, nas folhas da imprensa local. O leitor encontrará perfis de uma Iracema Brandão, de uma Zila Mamede, de uma Mônica Dantas, de um Hélio Galvão, de um Silvino Lamartine de Faria, de um Leide Moraes, de um Onofre Lopes, de um Otto Guerra, de um Raimundo Gurgel, de um Francisco das Chagas Pereira, de um João Wilson de Mendes Melo, de Walter Pereira, de um Silvino Balá, de um Dom Eugênio de Araújo Sales, de um Dom José Delgado, entre outros. Como se vê, um escrete de grandes craques.
Faltou no livro de Geraldo um capítulo especial sobre gastronomia, ampliando o que ele nos deu no seu livro “Moleque do Acari”, onde deita e rola sobre carne de sol e paçoca. Fui passando as páginas no faro de uma bacalhoada. Ele é mestre nesse oficio. Estaí o poeta Nei Leandro de Castro que não me deixa mentir. Geraldo passa de raspão nas comidas que saboreou, principalmente as dos tempos de maior precisão ( a banana única para o lanche do grupo escolar), guardadas na despensa pobre de Dona Amélia Batista, sua mãe. Ali o cardápio não passava de cuscus de milho misturado com farinha de mandioca e rapadura, um prato de batata-doce, munguzá, raros nacos de carne, o doce de caju, a rapadura temperada com coco. Depois vieram as galinhas torradas ou os camarões nas casas dos amigos. A descoberta do pepino e a curiosidade em torno do espinafre. Uma vez, em Portugal, agora cidadão do Mundo, tem o encontro com as sardinhas de Lisboa e a aproximação com os bacalhaus famosos. Aí, o menino de Acari, revelando-se um verdadeiro cosmopolita já sabia, como poucos, trinchar o nobre peixe dos mares do Norte, inventando e reinventando receitas que espero encontrar no próximo livro. Ou no almoço da semana que vem.
O livro de Geraldo, que tem prefácio de Iaperi Araújo e orelhas de Valério Mesquita, venerandos membros de nossa Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, será lançando na Bienal do Livro de Natal, noite de 5 de junho. Longa fila de autógrafos, bandejas com vinhos e, certamente, bolinhos de bacalhau.
Convidado pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, o professor de História aposentado, fundador e primeiro diretor da Tipografia Universitária visitou a sede da Editora, onde não pisava há mais de dez anos, e lembrou de como tudo começou: “Quando fui com a turma da universidade para um passeio em Fortaleza, fiquei sabendo que lá eles tinham uma gráfica própria. Pesquisando, vi que a UFRN era das poucas do Nordeste que não tinha a própria editora. Escrevi uma carta para o reitor, na época Onofre Lopes, sugerindo a criação. Entusiasmado, me convidou para assumir a missão. Nos tornamos amigos desde então”, disse Geraldo, que esteve à frente da editora dos 26 aos 40 anos. Durante a visita, topou com um velho colega de trabalho, Francisco de Assis, e reconheceu uma antiga máquina de dobrar livros ainda na ativa. “Está tudo em perfeito estado!”, diz examinando as engrenagens do equipamento de fabricação alemã. “Essas é que são boas”, garante.
Na primeira fase da EDUFRN, as máquinas funcionavam nos fundos do prédio da reitoria, alojada no imóvel onde hoje está instalado o 3º Distrito Naval da Marinha, em frente à Escola Doméstica, Tirol. Geraldo não chegou a trabalhar na sede atual da editora, dentro do Campus Central, inaugurado em 1989.
Em 14 anos, editou livros dos principais intelectuais potiguares e recorda com orgulho quando recebeu a incumbência de assinar a arelha do livro “O tempo e Eu”, de Câmara Cascudo. Também contou quando, em 1971, imprimiu 12 títulos em quatro meses para Onofre Lopes. “Ele queria um livro para cada ano de sua administração como reitor. Foi um desafio que no fim me rendeu um abraço afetuoso de Onofre Lopes em agradecimento”. Essas e outras histórias ilustram o livro “Lembranças”, que encerra a trilogia iniciada com “Moleque do Acari” e “Memórias de um velho pároco” – nenhum deles publicado pela editora. “Terminei meu quarto livro, ‘Romance no gueto de Varsóvia’, e quero ver se este eu publico aqui pela Editora Universitária”, planeja. Geraldo também foi chefe, vice-diretor e diretor da Comperve.Editora modernizada
Modernizada na atual gestão de Herculano Campos, a EDUFRN teve seu parque gráfico renovado nos últimos quatro anos, e uma série de procedimentos internos foram postos em prática para tornar a edição de novos títulos uma decisão ainda mais compartilhada. “Criamos um conselho editorial, adotamos uma política editorial que amplia a publicação de obras selecionadas através de editais abertos a toda comunidade universitária e definimos nosso perfil editorial”, enumera Herculano.
Em 2011, foi realizado o terceiro edital, que teve 48 obras inscritas – desses, cerca de 30 serão publicados. “Nos últimos quatro anos lançamos cerca de 60 títulos, e para comemorar esses 50 anos criamos um selo alusivo à data”, informa Campos. Sobre a edição e reedição de obras literárias, Herculano informou que a decisão passa pelo crivo do conselho. “Optamos por títulos de grande relevância cultural, e temos nos esmerado para produzir obras com alto padrão de acabamento. Nossos livros têm uma boa aceitação no mercado, inclusive em âmbito nacional”, conclui.
Os livros que serão lançados hoje na reitoria, e que poderão ser encontrados depois na Cooperativa Cultural do Campus, são “A biblioteca e seus habitantes” (reedição), de Américo de Oliveira Costa; “Gracioso Ramalhete” (reedição), pesquisa do escritor Cláudio Galvão sobre a poesia de Ferreira Itajubá; e a compilação inédita “Poesias, de Luís Carlos Guimarães”, uma seleção preparada pelo próprio autor pouco antes do seu falecimento em 2001.
Outras obras já relançadas pela EDUFRN e que merecem destaque são “O Tempo e Eu”; “Vida Breve de Auta de Souza”; e “Nosso Amigo Castriciano”, todos de Câmara Cascudo. “A poesia reunida de Zila Mamede”, compreendendo a reunião inicial de Navegos, acrescida de “A Herança”, a “Memória Viva de Onofre Lopes”, e “História da República no Rio Grande do Norte”, de Itamar de Souza.
Orelha para cascudo: “O Tempo e Eu”
O assunto mais fácil do mundo seria apresentar Luís da Câmara Cascudo. Mas, quem teria a ousadia de fazê-lo? Adjetivá-lo de Comendador, de Professor Emérito, de Historiador, de Etnógrafo? A lista seria interminável e, por mais que me esforçasse nos qualitativos, não traria uma novidade sequer. Somente vim a conhecê-lo de verdade, neste ano da graça de 1968. Antes já o cumprimentava. Chamava-o de mestre. Respeitava-o. Admirava-o. Lia e consultava suas obras. Mas foi “O tempo e Eu” que me fez CONHECÊ-LO. Bati, inúmeras vezes, em sua porta. Sempre o mesmo sorriso. A mesma alegria de receber. Anedotas. Histórias. Estórias. Estímulo. Elogios sinceros, embora imerecidos. Batismo do sobrinho honorário. Vi-me, então, promovido a seu parente. Parentesco sentimental, honroso, invejável. (…)
“O tempo e Eu” já estava quase pronto, quando perguntei ao mestre pelas orelhas do livro.
– Meu filho, livro de surdo não precisa de orelhas.
Mas a capa foi planejada para receber orelhas!
– As orelhas são suas; faça delas o que quiser.
Se são minhas, as escolho para confidentes. Falarei da alegria, do prazer de editar um trabalho que é o próprio Cascudo. (…) E, para elas não ficarem ouvindo coisas inúteis, foi apenas o algodão que as tapou.”

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